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Um olhar sobre os desafios empresariais internos para a implantação de mudanças.

Nestes anos de atuação em consultoria, frequentemente me deparei com empresários que fizeram esta pergunta em algum momento, algumas vezes para si mesmos, e nem fiquei sabendo.

Sim, em muitos casos a dúvida acaba ficando velada, porque não é uma questão que muitos se sintam à vontade para tratar com outros empresários, ou com uma consultoria com a qual venham conversando sobre uma eventual possibilidade de contratação.

Com este artigo, não pretendo responder todas as dúvidas em torno do assunto. Também não vou aprofundar aqui, para não sair do tema, as questões relativas à competência da consultoria do ponto de vista técnico. Entendo que isso seja uma premissa para o trabalho.

A ideia é abordar alguns elementos das relações empresariais que são altamente interferentes na gestão e no cotidiano das organizações, com impacto direto na capacidade de execução de qualquer tarefa, da mais estratégica à mais operacional, afetando desempenho e resultados.

Uma coisa é certa: sempre estive reunida com empresários muito conscientes sobre o assunto que estávamos tratando e totalmente engajados em buscar uma solução para o problema. Mas a dúvida sempre foi: “E qual é essa solução? Uma consultoria empresarial seria o caminho?”

Se no decorrer desta leitura você se identificar, provavelmente a resposta para a sua pergunta é: “Sim, uma consultoria empresarialpoderia ser uma boa solução!”

6 Bons Motivos para Contratar uma Consultoria Empresarial

  1. A Consultoria não faz parte do dia-a-dia da empresa
  2. A Consultoria tem tempo disponível e metodologia para desenvolver e implementar as soluções
  3. A Consultoria é isenta em suas posições
  4. A Consultoria tem experiência fora do mercado de atuação da empresa
  5. A Consultoria tem visão holística
  6. O custo x benefício de contratar uma Consultoria Empresarial compensa

Vamos analisar cada um deles.


1 – A Consultoria Não Faz Parte do Dia-a-Dia da Empresa

Pode parecer um paradoxo, afinal, a consultoria empresarial precisa conhecer muito bem a empresa para conseguir ajudá-la, certo?

A resposta é sim, mas fazemos isso de outra forma, sem a necessidade de ser parte integrante da estrutura.

Na prática, esse distanciamento do cotidiano da empresa garante a manutenção de um olhar externo, que normalmente é mais crítico e desapaixonado.

É aquela situação que todos conhecemos. Quem está de fora consegue perceber o problema e as possíveis soluções com mais clareza e rapidez, porque não tem o viés emocional.


2- A Consultoria Tem Tempo Disponível e Metodologia para Desenvolver e Implementar as Soluções

Já me deparei várias vezes com essa situação.

Somos contratados, nos aprofundamos nos assuntos para entender melhor os desafios e encontramos diversas ótimas ideias que começaram a ser desenvolvidas, mas pararam por falta de tempo. Ou prioridade.

A maioria das empresas está preocupada com a manutenção do seu negócio. E tudo bem quanto a isso. Em outras palavras, definir e executar estratégias, ações, processos, rotinas e controles, atendendo às demandas do dia-a-dia, já toma todo o tempo de todos.

Um outro fator é que os colaboradores geralmente são medidos, direta ou indiretamente, pelos resultados alcançados dentro deste cenário do “conhecido”. E o tempo, esse recurso cada vez mais escasso, trabalha na contramão.

Nestas condições, qualquer movimento fora do comum, que consuma tempo, concorre sem igualdade com os assuntos do cotidiano, e vai sendo movido para baixo na lista de prioridades: “Não temos tempo para isso”.

A consultoria, por outro lado, foi contratada com este objetivo, o de promover mudanças, portanto, tem seu tempo e foco nesse propósito, gerando maior velocidade também.

Outras vezes, falta uma metodologia adequada para o monitoramento e acompanhamento de todo o processo, que envolve várias áreas, pessoas e outros recursos.

Por mais disciplina que a alta direção e os colaboradores tenham, individualmente, manter essa postura no coletivo não é uma tarefa fácil, além de requerer ferramentas, métodos e mecanismos para contornar as dificuldades naturais que surgem.

Nem todas as empresas têm, internamente, esta metodologia estruturada. Já no caso de uma consultoria, isto é pré-requisito para a atuação.


3 – A Consultoria é Isenta em Suas Posições

Muitas vezes, os problemas já estão claros internamente e as soluções também. Bom, então resta implementar as mudanças necessárias e resolver tudo, certo?

Infelizmente não, por algumas razões:

A Solução Gera Desconforto no Ambiente Empresarial

Algumas medidas necessárias para a correção do problema são claramente impopulares e causam desconforto, seja para a alta direção, seja para o corpo gerencial, ou ambos.

Quando isto acontece, ninguém quer assumir o papel de “vilão” no processo, assumindo o ônus da mudança.

E o que vemos, muitas vezes, são empresas que vão adiando a decisão ou implantação, na expectativa de que algo aconteça naturalmente e o cenário mude, sem necessidade de alguma intervenção.

A Solução é Conhecida pelo Corpo Gerencial, mas Afeta a Alta Direção

As gerências e os níveis abaixo delas, por estarem mais diretamente envolvidas na operação, têm uma grande sensibilidade para os problemas, seus impactos e, muitas vezes, as soluções.

A questão, aqui, é que em algumas situações essa solução envolve uma mudança que afeta diretamente a alta direção, ou depende dela. É mais complicado, inclusive, quando diz respeito a uma decisão reconhecidamente difícil.

Se este tipo de condição ocorre, o mais comum é que essa proposta de mudança não seja levada para o nível acima, por receio de algum tipo de consequência.

E o problema vai se arrastando, com a adoção de medidas paliativas que minimizam impactos negativos, mas que não resolvem a situação.

Essa mesma postura é observada quando a solução é conhecida por uma das áreas da empresa, mas afeta diretamente uma outra.

Neste caso, o espírito de coletividade acaba se sobressaindo à necessidade de solução, porque os envolvidos vão continuar convivendo depois da abordagem do problema, e preferem que o bom relacionamento seja preservado.

A Consultoria Empresarial Não Faz Parte do Quadro Funcional

E é por essa razão que tem a neutralidade necessária para avaliar todos os ângulos do problema, envolvendo todos os níveis empresariais, e propor soluções isentas.

Sua natureza transitória, dentro do ambiente organizacional, permite que a consultoria proponha e apoie as mudanças necessárias para o organismo empresarial, sem as limitações do relacionamento hierárquico ou funcional, porque não integra este quadro.


4 – A Consultoria Tem Experiência Fora do Mercado de Atuação da Empresa

Também pode parecer um contrassenso. A percepção mais comum é que a especialização em algo nos torna melhores naquilo que fazemos.

Isto é verdade também, mas normalmente quando estamos falando de utilizar experiência e vivência anteriores para encontrar soluções dentro de ambientes conhecidos.

E quando tudo o que existe de disponível num determinado mercado ou segmento já foi tentado e não surtiu o efeito desejado? Qual é a saída?

Aqui, para não desviarmos do assunto foco deste artigo, vamos apenas comentar que, em muitos casos, as chamadas ideias criativas, aquelas que realmente geram diferencial competitivo, nem sempre estão no mercado de atuação da empresa.

Por isso o benchmarking dos principais concorrentes diretos não é mais suficiente. Inovação, em algum nível, muitas vezes é bem-vinda.

E ela pode simplesmente partir da observação e do “empréstimo” de práticas de um outro mercado ou segmento, aplicáveis à realidade da empresa a partir de ajustes e adaptações necessárias.


5 – A Consultoria tem Visão Holística

É natural que cada colaborador tenha uma percepção sobre a atividade que exerce e o papel que a mesma desempenha no organismo empresarial.

Melhor ainda quando estes mesmos profissionais entendem claramente o impacto que sua atividade gera, assim como a maneira pela qual é afetada por outras.

Muitos colaboradores conhecem bem essa cadeia interdependente, mas poucos conseguem enxergar ou entender o todo. O fato é que a maior parte conhece muito bem sua atividade, mas não a do outro.

À medida que vamos escalando a hierarquia, essa visão vai ficando mais disponível, mas algumas vezes falta a vivência da operacionalização, que também dificulta o entendimento completo da situação e a formulação de propostas práticas.

Uma consultoria que se propõe a desenhar soluções e também apoiar a empresa na implementação das mudanças trabalha com essas duas dimensões complementares: a visão holística e a experiência prática.


6 – O Custo x Benefício de Contratar uma Consultoria Empresarial Compensa

Qualquer correção, alteração, ajuste ou mudança que tenha que ser feita na empresa, em qualquer âmbito, envolve algum tipo de investimento.

Aqui, estou considerando pelo menos o tempo, e o quanto ele custa.

Vai envolver um ou mais funcionários no processo? Quanto custa este tempo, se considerarmos os desafios de implantação que comentei acima?

No final, quando a solução demora mais tempo do que “deveria”, temos impacto nos dois ambientes: interno e externo.

Internamente, por mais motivada e engajada que seja a equipe, a prática do começa-e-para acaba desgastando a capacidade de realização.

O mesmo acontece naquelas situações em que as relações hierárquicas ou funcionais representam o desafio a ser ultrapassado. A equipe desanima.

No ambiente externo, não importa quais sejam as razões que justifiquem internamente a demora para a implementação, o mercado – e mais precisamente seu cliente ou consumidor – não vai aguardar que a situação se resolva.

A reação mais comum é um outro tipo de desgaste: a substituição do produto ou serviço por um outro que pareça mais equilibrado, mais rápido ou mais simples.

Assim, por questão de foco e atenção dedicada, a consultoria empresarial consegue desenvolver e implementar as soluções em menos tempo do que a empresa levaria sozinha, otimizando recursos.

O assunto é amplo e tem várias nuances, mas espero ter contribuído para facilitar sua reflexão com esse conteúdo.

Um abraço e até o próximo artigo!

Viviane Misko – Diretora Geral na Thinkerest Consultoria Empresarial

Fonte: Thinkerest