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Mas essas tendências positivas não significam que não há nada para se preocupar. Existem dois grandes desafios para a força de trabalho atualmente, e ambos são devidos, em parte, ao progresso tecnológico. O primeiro é que o motor de criação de empregos continua girando, mas agora funcionando em marcha lenta. Esse motor fazia um bom trabalho gerando vários empregos sólidos para a classe média que ganhava mais com o tempo. Agora, está criando empregos para as classes mais baixas com salários menores.

Existem diversas razões para essas mudanças, mas nosso colega do MIT, David Autor e seus assistentes identificaram questão central: a classe média americana foi construída com trabalhos rotineiros (ambos físico, como contratando empregados para linha de montagem numa fábrica, e cognitivo, como gerenciando a folha de pagamento da fábrica) e esse trabalho tem sido rapidamente automatizado nas últimas décadas. O crescimento do emprego tem continuado porque tem havido um rápido aumento nos empregos físicos no setor de serviços como manutenção doméstica e delivery de tudo. Esses tipos de serviços são muito difíceis de automatizar – nós ainda temos muito mais destreza e agilidade do que os robôs – mas são empregos de baixa produtividade que pagam pouco.

O segundo desafio é que a despeito do baixo desemprego, existe verdadeiramente um sério problema de desemprego entre alguns grupos. Como pode ser? É porque as pessoas que pararam de procurar por empregos não são incluídas no cálculo das taxas de desemprego que saem nas manchetes dos jornais. E um percentual surpreendentemente alto de homens mais velhos, especialmente com pouca instrução, que não entram nas estatísticas. De acordo com um relatório de 2016 da Casa Branca, mais de 16% dos homens americanos entre 25 e 54 anos com escolaridade média ou inferior saíram completamente da força de trabalho do país. De novo, existem várias razões para este fenômeno. Parece que uma delas é que homens que aspiravam o esteriótipo de trabalho braçal nas linhas de montagens ou em minas de carvão não desejam por empregos em outras áreas como serviços, saúde, educação. Com a automação assumindo o controle dos caminhões autônomos e outros empregos similares, essa discrepância entre o trabalho desejado e o trabalho disponível provavelmente continuará a crescer, assim como o desemprego e os problemas decorridos dele.

Além disso, trabalhadores com pouca qualificação que conseguem trabalho acabam geralmente com os salários estagnados. Os salários reais estão sem mudanças na metade de baixo da distribuição de renda, mesmo que os salários tenham crescido de um modo geral. Esse crescimento se deu para o trabalhador mais qualificado e com especialização. Isto explica a desigualdade, mas também grandes lacunas em outras estatísticas com suicídio, alcoolismo e abuso de drogas. Como documentou Anne Case e Angus Deaton, “mortes por desespero” aumentaram bruscamente entre trabalhadores brancos nos últimos 20 anos depois de terem caído nas décadas anteriores.

O progresso tecnológico tem mudado bastante a nossa economia nas últimas gerações, e vai mudar mais e mais rapidamente. Mas a IA, tão impressionante e poderosa, não irá assumir tão cedo todos os trabalhos que nós fazemos. Em vez de nos prepararmos para um futuro desemprego, devemos nos preparar para uma versão mais turbinada do nós mesmos. O motor de criação de empregos está em marcha lenta, e há um grande número de pessoas tentadas a sentar no meio-fio em vez de aumentar suas habilidades para as novas demandas do mundo tecnológico que já estão surgindo.