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O primeiro computador, o ENIAC, foi construído em 1946. O primeiro computador de guerra apareceu dois anos depois. Foi construído pelo escritório de Pesquisas de Operações do Exército americano e era bastante rudimentar como você deve imaginar. Desde então, o relacionamento entre os militares e o mundo dos videogames se tornou cada vez mais profundo. Veteranos de guerra americanos desenvolveram jogos populares, e esses jogos populares ajudaram na recuperação de outros veteranos. O exército americano usa jogos para recrutar novos soldados, e críticos reclamam que a guerra moderna cruelmente advêm por conta da grande proximidade desta com os videogames. Em 1997, foi matéria da revista WIRED a história sobre como Marines americanos modificaram o popular jogo DOOM para realizar treinamentos simulados. No mês passado, saiu a notícia de que soldados estão sendo treinados com um sistema chamado de Táticas em Realidade Aumentada.

E se a relação se tornar cada vez mais profunda? E se, por exemplo, o melhor desenvolvedor de games produzir ferramentas para o Pentágono? E se, então, essas ferramentas acabar virando jogos? E se, ao invés de videogames simulando guerras, guerras copiarem os videogames? E que, de alguma maneira, as duas coisas se tornarem uma só?

Essa ideia é de Will Roper, um estudioso da universidade Rhodes nos anos 1930 com PhD em matemática. Roper é responsável pelo secreto escritório de Capacidades Estratégicas do Departamento de Defesa. O trabalho dele é estudar onde guerras estão acontecendo e desenvolver ferramentas tecnológicas para ajudar os Estados Unidos as vencerem. Os militares pensam no hoje, o Departamento de Defesas pensa no futuro distante, Roper pensa no amanhã.

O escritório dele foi criado em 2012, mas permaneceu como top secret até o ano passado. Recentemente, ele começou a sair das sombras. Em janeiro último, Roper apareceu dando entrevistas. Ele contou, entre outras coisas, como um enxame de pequenos drones poderia ser usado com finalidades militares. “Na era da Internet das Coisas, nossos sentidos não mais definem as fronteiras de nossas percepções”, afirma ele. O especialista afirma que já há a tecnologia para que soldados usem apenas máquinas controladas remotamente em conflitos urbanos. Segundo ele, “o maior impeditivo ainda são os custos. Mas isso cai rapidamente”, acredita.

Não é estranho pensar que muitas dessas tecnologias podem, rapidamente, estar disponíveis para fins civis. Lembramos que a própria Internet (sim, com letra maiúscula) surgiu com propósito militar. O GPS também teve origem semelhante. Hoje, é impensável o mundo sem essas duas ferramentas trabalhando juntas no nosso cotidiano. O futura pode ser, sem dúvida, maravilhoso ou assustador.

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Fonte: Wired