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Cidades inteligentes podem parecer bastante diferentes dos centros urbanos de hoje. A iluminação pública poderá se comunicar com os pontos de ônibus, os trens do metrô poderão ser abastecidos a energia solar. Contudo, o crescimento da população irá forçar os líderes governamentais a repensar as políticas públicas e irem além de questões como transporte e habitação. Conforme a população aumenta, locais urbanos precisarão atender a demanda por alimentos. Alguns especialistas sugerem que uma nova abordagem agrícola chamada de fazenda vertical, também conhecida como fazendas urbanas, poderão resolver este problema. Em um modelo que já está sendo testado em Singapura, culturas são cultivadas dentro de prédios. Os benefícios são vários, a tecnologia é poderosa e os resultados deliciosos.

O que é um Fazenda Vertical?

Dickson Despommier é professor de saúde pública na área de ciência e saúde do meio ambiente na Universidade Colúmbia, nos EUA, e publicou um livro sobre o cultivo vertical. Em seu site, verticalfarm.com, ele aponta a perspectiva da importância da inovação na agricultura:

Por volta do ano 2050, perto de 80% de toda a população da Terra estará morando em centros urbanos. Aplicando as estimativas mais conservadoras sobre as tendência demográficas atuais, a população crescerá cerca de 3 bilhões de pessoas durante este período. Será necessário um aumento de cerca de 20% mais terra cultivada do que o representado hoje pelo Brasil apenas para cultivar mais alimentos, isto mantendo-se as técnicas de platio utilizadas hoje. Atualmente, mais de 80% de toda terra cultivável no mundo já está em uso (fonte FAO e NASA). Historicamente, cerca de 15% do que é produzido nestas áreas são desperdiçados por conta de práticas de gerenciamento antigas e ineficientes.

Quais são as vantagens das Fazendas Verticais?

Os benefícios de uma nova maneira de cultivar e colher alimentos são numerosos. Despommier nos fala de uma lista completa de deles no seu site, mas aqui temos algumas vantagens principais:

  • Produção o ano todo; 1 acre de cultivo vertical equivale a 4-6 acres de áreas externas ou mais, dependendo da cultura a ser cultivada (por exemplo: no caso dos morangos, 1 acre vertical equivale a 30 acres externos).
  • Colheitas que independem das condições climáticas como secas, inundações, pragas.
  • Todos os alimentos plantados nas fazendas verticais são orgânicos, ou seja, livres de pesticidas, agrotóxicos ou fertilizantes.
  • Fazendas verticais reduzem drasticamente o uso de combustível fóssil (sem tratores, arados ou caminhões).

Aliado ao fato de usar menos combustível fóssil durante o processo de crescimento e colheita, os alimentos são cultivados muito perto dos locais urbanos onde são comercializados e consumidos. Isto reduz os custos sobre o frete e entrega ao mercado produtos mais frescos e livres de contaminação. Isso sem falar no uso racional da água. Nas fazendas verticais o reuso e reciclagem da água fazem parte do processo.

Sem dúvida, esta pode ser uma solução sustentável para locais onde as áreas para plantio são reduzidas e muito caras. Além, é claro, de oferecer ao mercado produtos mais confiáveis, baratos e frescos. É uma revolução na área agrícola. Com as tecnologias de logísticas mais avançadas e o progresso neste tipo de produção de alimentos, as cidades no século XXI podem mudar completamente a forma como compramos e produzimos os alimentos que botamos em nossas mesas todos os dias.

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Fonte: StateTech